domingo, 19 de setembro de 2010

Os sete pecados capitais..... pesquisa

Todo mundo, um dia, já caiu na tentação. Seja a de comer demais, cobiçar o bem alheio, envaidecer-se de algo a ponto de alardear suas conquistas aos quatro cantos do mundo. Ou passar um dia inteiro deitado, sem fazer nada; entregar-se aos prazeres descompromissados do sexo, esconder dinheiro para não emprestar, enraivecer-se a ponto de disparar socos e pontapés. Para cada um desses excessos, há um nome. Juntos, eles compõem os sete pecados capitais, descritos pela primeira vez no fim do século 7, quando o papa Gregório fez uma lista das sete piores paixões humanas.
Apesar de nomeados pela Igreja Católica, soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria são vícios malvistos por várias sociedades, antes mesmo que Jesus Cristo fundasse a nova religião.
Na mitologia greco-romana, são temas passíveis da fúria dos deuses, que, mesmo do alto da majestade olímpica, também não estavam incólumes às paixões humanas. O budismo ensina a se desapegar dos desejos corporais e, para o hinduísmo, a avareza é um mal destruidor. Mesmo os agnósticos não deixam de torcer o nariz para os vícios que, moralmente, nos parecem mais odiosos, como o ócio ou o orgulho desenfreado.
A ciência, porém, veio nos redimir de todas as nossas culpas. Psicólogos sociais estão debruçados sobre a origem dos pecados capitais. Neurologistas já descobriram que a chave para muitos dos sentimentos considerados ruins está na fisiologia do cérebro. Pesquisadores mostram que um vício pode ser, muitas vezes, o jeito que o ser humano encontra para sobreviver, o que Charles Darwin chamaria de pura evolução.
PREGUIÇA
Não se engane com a preguiça, ela pouco tem a ver com a moleza ou a momentânea falta de vontade de fazer algo. Ela é muito mais forte e um de seus poderes é deixar a vida vazia, sem sentido. Por isso, dos sete pecados capitais, talvez ela seja a mais dolorosa, sofrida e destrutiva. A acedia, como também é conhecida, é o enfraquecimento da alma, que nos afasta da realidade e de nós mesmos.
“O pecado da preguiça é uma letargia que aos poucos suga a vida ou deixa um vazio no espírito. É caracterizado pela falta de paixão, de vontade e de motivação que nos leva à melancolia, à apatia e à indiferença”, explica Claude Barbre, psicólogo e professor da Escola de Psicologia Profissional de Chicago. Na Idade Média, ter esse sentimento de não querer mais viver era um verdadeiro suplício para os religiosos. Ninguém conseguia entender como era possível fazer uma recusa tão amarga e avassaladora de aproveitar a vida.
Quando esse pecado chega, ele pode ser avassalador. Nos sentimos perdidos em um enorme vazio e poucas coisas fazem sentido ao atingirmos a depressão espiritual. Do ponto de vista psicológico, a acedia geralmente vem acompanhada de desordens narcisistas em que faltam para a pessoa fontes internas de conforto e consolo para sua existência. “É uma turbulência da mente, um distúrbio de si mesmo. Também pode se manifestar hoje em dia nas nossas questões contemporâneas e fissuras interpessoais”, comenta o psicólogo americano.
A preguiça, porém, também pode ser positiva. Ela pode funcionar como um alerta de que precisamos reanimar nossa capacidade de amar. Está aí a principal diferença entre esse pecado e a depressão clínica. “De acordo com os primeiros ascéticos, isso queria dizer que, quando não tínhamos nada para nos fazer levantar, éramos jogados de volta à nossa essência. E, com isso, uma nova consciência poderia surgir e falar conosco quando todos os limites desapareciam. Essa perda pode nos fazer encontrar uma nova motivação e um sentido mais profundo para a vida”, diz o psicólogo.

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